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Descubra quem é você em Sete Demônios!

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Entenda os Sete Selos do Apocalipse e seus rompimentos 

Alguns leitores me disseram que não entendem muito bem como funciona o rompimento dos Sete Selos do Apocalipse citados na estória.

Eu encontrei um documentário muito esclarecedor no YouTube a respeito e espero que isto ajude vocês a compreender melhor esse tema um pouquinho complexo.

DOCUMENTÁRIO - OS SETE SELOS DO APOCALIPSE:

http://www.youtube.com/watch?v=wegvJyCjqOI

Posted 3 weeks ago
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Banners - Primeiro e Segundo Ciclo 

Posted 4 weeks ago
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A Fraternidade e suas divisões 

  • Primeira Divisão: Ira (um conjunto de fortes emoções e vontade de agressão, uma cólera, sentimento de vingança) - Azazel.
  • Segunda Divisão: Luxúria (desequilíbrio do prazer que o luxo traz, normalmente ligado ao sexo) - Asmodeus.
  • Terceira Divisão: Avareza (ganância, desequilíbrio do ter) - Mamon.
  • Quarta Divisão: Gula (desequilíbrio da alimentação) - Belzebu.
  • Quinta Divisão: Inveja (vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser) - Leviatã.
  • Sexta Divisão: Preguiça (aversão ao trabalho, bem como negligência, morosidade e lentidão) - Belphegor.
  • Sétima Divisão: Soberba (desequilíbrio da humildade) - Lúcifer.
Posted 1 month ago
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Dreamcast 

Bem, respondendo novamente aos que me perguntaram qual seria o elenco dos meus sonhos para a fic, aqui está o dreamcast que eu imagino:

Posted 1 month ago
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Segundo Ciclo - Capítulo V - Os Que Habitam Dentro 

Willow Hope esquentou panos molhados, aproximando-os do fogão à lenha improvisado no galpão onde vivia com Noah e Seth, seus dois velhos e sábios amigos. Os dois curandeiros haviam reunido uma porção de poucas moedas para conseguir comprar as ervas necessárias para os remédios caseiros com os quais tratavam o homem inconsciente que a pequena profetiza os fizera trazer para casa na noite daquela explosão.

Examinando a temperatura dos tecidos, constatando que estavam mornos, Willow correu com eles até a cama improvisada que havia ali, debaixo de seu teto. Distribuiu-os pelos braços e pernas daquele que mantinha-se adormecido à sua frente, cobrindo suas feridas que agora haviam adquirido um aspecto melhor se comparado ao de dias atrás. Aquilo aquietou o coração da menina por instantes. Ela puxou uma cadeira de madeira e sentou-se ao lado da cama, assistindo o sono profundo que mais parecia eterno do homem que salvara.

Contatar a alma dele parecia algo impossível. Vinha tentando desde o dia em que o trouxera para casa. Era como se ele não estivesse mais naquele plano. Após uma semana Willow Hope concluiu que era este o problema. A alma dele não encontrava-se mais na Terra ou no plano daqueles que permaneciam entre os vivos, mesmo depois de mortos. Parecia que a alma dele estava entalada em alguma outra dimensão, presa em lugar algum, solitária.

A pequena estava afundada em seus pensamentos, sentada à cadeira com um olhar distante quando algo a trouxe de volta à realidade. Ela julgou ter visto o homem desacordado mover o dedo indicador da mão pendendo para fora da cama. Piscou duas vezes firmemente, incerta.

E então o dedo dele tornou a mover-se, um movimento quase imperceptível, minúsculo. O coração de Willow reanimou-se, acelerando de repente. Ela desceu da cadeira e aproximou-se do corpo, olhando para o rosto dele com atenção. Aproximou o pequeno rosto do dele, sem deixar de fitar os olhos fechados para o sono infinito.

– Pode me ouvir? – indagou em tom suavemente baixo. Sua voz doce e inocente ecoou no galpão, aos quatro cantos. Não houve resposta. O dedo não tornou a se mover. Willow suspirou, abaixando a cabeça.

Subitamente, sentiu que algo agarrava-lhe o braço esquerdo. Assustou-se de sobressalto ao ver que o homem segurava-lhe com brutalidade. O corpo inclinou-se para frente, os panos molhados e aquecidos caíram ao chão. Ele sentou-se na cama, os olhos muito abertos e a boca escancarada. A expressão dele estava fixa no pleno horror. Não muito diferente da de Willow.

– Afaste-se deste corpo, doce garotinha. – a voz vinda dos lábios secos, há muito tempo selados soou grave demais, intimidadora, demoníaca.

Com os olhos arregalados, sentindo a mão apertar forte seu braço frágil, Willow Hope engoliu o temor do momento a seco. Tentou parecer corajosa e decidida quando inquiriu:

– Quem é você?

O homem riu, uma gargalhada perversa e debochada. Apertou a mão ao redor do braço dela com mais força, encarando-a com intensidade fatal.

– Anee hoo sheshokhen betokh Cain. – a voz respondeu em timbre diferente, porém no mesmo tom ameaçador. De repente, a voz se alterou, como se uma segunda pessoa falasse em seguida. – Ego sum unus quisnam habito intus Nero. – uma terceira voz veio em seguida, elevando seu tom: – Eh no ente so paro thene Judas. – a quarta voz soou ainda mais alta e estrondosa: – Eet ik nik Hitler. – a quinta seguiu no mesmo tom, com um timbre também diferenciado dos anteriores: – Ah nah Herodes. – houve uma sexta voz enquanto ele ainda segurava o braço da pequena, olhando-a diretamente nos olhos, com seus globos oculares inteiramente negros. – Я Иван, Грозный. – a sétima e última voz soou clara como um raio e ensurdecedora como o trovão que o sucedia, os lábios de onde a voz vinha entortou-se em um sorriso malicioso. – E eu sou Lúcifer, jovem profetisa. O diabo em carne e osso.

Willow afastou-se dele, puxando seu braço para longe da mão que a prendia no local. Recuou, olhando com os olhos esbugalhados, a boca entreaberta por onde respirava ofegantemente. O coração escoiçava seu peito com violência.

O homem riu novamente, parecia se divertir. Até que sua cabeça foi projetada para trás enquanto ele gritava, agoniado. O corpo deitou-se na cama, os gritos cessaram e, diante dos olhos da menina, ele começou a levitar sobre a mesma cama, subindo em direção ao teto como uma pena leve ao vento. E então, ele caiu sobre a cama, despencando, inconsciente. Os olhos tornaram a se fechar como se ele nunca os tivesse aberto. O silêncio que se seguiu era perturbador. Para Willow, tudo o que conseguia ouvir agora era o som da própria respiração e o coração descompassado em seu peito. Ela assustou-se quando a porta única do galpão foi aberta, mas suspirou em alívio quando certificou-se de que tratava-se de Noah e Seth. Os dois adentraram o local, resmungando um com o outro. Noah parou diante da menina, notando seu estranho nervosismo. As pequenas mãos suavam, ainda que ela mantivesse os punhos cerrados.

– Por Deus, o que houve? – o velho aproximou-se dela, deixando um saco de pão sobre a mesa no centro do galpão. Tomou-lhe ambas as mãos entre as suas, olhando-a com ar de preocupação. – Diga-me o que você tem, Willow.

– Ele está tão perdido, Noah! – a menina tinha os olhos marejados e deixou-se cair em soluços de desespero. – Tão… Perdido…

– O que está havendo? – Seth avançou para eles, indignado.

Willow descobriu-se trêmula e em pânico.

– E-eu… Eu vi… Eu o ouvi dizendo… Ele…

– Seth, traga um copo d’água. Rápido. – Noah conduziu a pequena até o sofá, fazendo-a se sentar. Sentou-se ao lado dela, sem deixar de soltar sua mão.

– A alma… Dele es… Está corrompida… S-sete vezes corrompida… – disse ela, entre soluços e lágrimas que não cessavam.

– Do que está falando, Willow?

Ela levantou os olhos para seu velho e sábio amigo.

– Há seis espíritos neste corpo, Noah. E um demônio que o habita. Estão tomando posse completa desta matéria, de sua carne.

Seth surgiu com um copo na mão, estendendo-o para Willow. Ela agarrou o copo d’água de vidro trincado e bebericou dela, rapidamente.

– O que ocorreu aqui? Diga-me.

– Ele despertou. – disse, simplesmente. – Seis espíritos e um demônio manifestaram-se.

– Disseram-lhe seus sete nomes?

Enxugando os olhos com as costas da mão livre, Willow lembrou-se das sete diferentes vozes que os lábios do homem emitiram seguidos um depois do outro. Não identificara quaisquer dos idiomas pronunciados, mas conseguira distinguir os nomes ditos durante a manifestação.

– Aquele que habitou em Caim. – recordou-se ela. – Aquele que habitou em Nero, em Judas, em Hitler. Aquele que habitou em Herodes e aquele que habitou em Ivan, O Terrível. E Lúcifer. – ela fitou-o com seriedade. – O diabo.

– Seis homens que marcaram o mundo com suas crueldades. – observou o curandeiro, pensativo. – Seis espíritos corrompidos e imundos.

– E aquele que assenta-se no trono do Inferno. – Seth completou, de pé diante deles. – É curioso que Lúcifer tenha se manifestado neste corpo.

– Por quê? – Willow indagou, erguendo o rosto para o segundo interlocutor.

– O diabo não manifesta-se em qualquer um. Apenas naquele que lhe interessa. Almas puras prontas para serem corrompidas por ele, ou… – suas palavras morreram na tensão quase apalpável no ambiente.

– Ou…?

– Sua semente.

– Não entendo. – a garotinha abanou a cabeça.

– Acredito que este homem. – Seth apontou para o corpo sobre a cama. – Seja um dos filhos de Lúcifer, Willow.

Ela estremeceu, quase derrubando seu copo d’água. Noah deu continuidade ao que o outro dizia:

– Talvez seja melhor deixá-lo ir…

– Não! – objetou a garota. – Esta missão foi entregue a mim. Cabe a mimexecutá-la. A qualquer preço…

– Não sabe com o que está lidando.

Ela colocou-se de pé, inesperadamente. Encarou ambos com infinita seriedade.

– Temos de agilizar o processo de purificação. Eu resgatarei esta pobre alma.

– Mesmo que recuperemos sua alma, o corpo já foi maculado pelo sangue do demônio há muito tempo. – advertiu Seth. – Lúcifer faz uma visita aos seus filhos em seu sexto aniversário e os alimenta com sete gotas de seu sangue. O líquido vital neste corpo está corrompido.

Willow abaixou os olhos, colocando sua mente para funcionar de forma ágil. Tornou a levantar o rosto, fitando os anciões com determinação.

– Pois então purificaremos seu corpo e alma.

–—

– Está certa de que não deseja ir ao enterro de sua madrasta? – Vincent Hurst perguntou. Ele e Ellie encontravam-se assentados em um banco de madeira preso à parede do galpão no qual Joshua Wilder explicava para Dominic Ryder – seu possível novo irmão da Fraternidade – o que era necessário saber a respeito de armas de fogo.

– Seria irônico ir ao enterro da mulher cuja vida foi eu quem tirou. – respondeu ela. – A polícia abandonou o caso todo. Deram-na como morta por causas naturais devido ao acidente.

– Seu irmão deve estar desolado.

– Que queime no Inferno. – Ellie resmungou. Tinha os olhos fixos na conversa entre Wilder e Ryder, perdida em meio a pensamentos aleatórios. – Tem tido algum andamento nas investigações?

– Depois de sua atitude com Cornelius, será difícil investigar a Terceira Divisão. – o superior suspirou. – Aliás, colocou-se em risco por nada. Muito inconsequente, Ellie.

– Esta divisão precisa de mais homens. Precisamos aumentar nosso número.

– Homens com propósitos justos, de fato. Não é o caso desse seu novo amigo.

– A justiça vem a todos em diferentes formas, Vincent.

– Não deposite confiança em quem não conhece verdadeiramente.

– Eu também não conhecia vocês. – ela virou-se para fitá-lo. – E, no entanto, são os únicos em quem confio agora.

– São circunstâncias diferentes…

– Dominic Ryder será aceito nesta divisão se provar-se capaz de lutar em nosso favor.

– Esta é uma decisão sua.

– A decisão foi tomada por aquela que regerá sobre todo ser vivente da Terra. Não entre em discussão, por favor.

– Longe de mim. – Vincent Hurst sorriu, admirado.

A mulher à sua frente em nada parecia-se com a garotinha assustada que entrara no prédio pela primeira vez com as pernas trêmulas e os olhos arregalados.

Joshua Wilder manteve-se em pé ao lado de uma mesa de madeira sobre a qual um pequeno arsenal de armas se encontrava. Tomou posse de um revólver e estendeu-o para o sujeito diante dele.

– Tome. Usará esta.

Dominic Ryder hesitou, arqueando uma sobrancelha.

– Para quê?

– Testes. – Wilder deu de ombros, respondendo.

Sem responder, Ryder tomou a arma das mãos dele. Joshua seguiu com sua explicação, a voz carregada de indiferença, a apatia em pessoa:

– Seu alvo será aquela parede. – indicou a parede de pintura descascada e velha à sua frente. – Não usaremos mais animais mortos a pedido d… Apenas atire na parede.

Havia sido um pedido que mais soara como uma ordem da parte de Ellie. Vincent Hurst acatava todas as ideias da garota como se a Fraternidade fosse uma propriedade dela. Joshua Wilder começou a acreditar que sim, de fato, era. E isto lhe deixava profundamente irritado.

– Alguma área em especial? – Dominic quis saber.

– Três disparos certeiros em uma linha reta, um seguido do outro, de preferência no centro. Acha que consegue?

Ryder riu pelo canto dos lábios. Esticou a mão com o revólver, estreitando os olhos, fixando-os em sua mira. Deitou o dedo no gatilho com facilidade e sem hesitação. O primeiro disparo foi emitido, seguido do segundo e terceiro. Um após o outro, sem intervalos. O som da arma cessou.

Joshua Wilder levantou as sobrancelhas em admiração ao ver três novos pequenos buracos na parede, seguindo linha reta. Virou-se para Ryder:

– Tem boa mira.

– Não por falta de experiência. – sorrindo presunçosamente, ele declarou.

Vincent e Ellie levantaram-se, aproximando-se deles para congratulá-lo por seu pequeno feito. Hurst, sempre gentil, tocou-lhe no ombro e disse:

– Dará início aos treinamentos amanhã mesmo.

– Treinamentos? – Dominic Ryder esboçou perplexidade.

– Saber atirar é apenas um dos requisitos mínimos para se tornar um membro da Fraternidade.

O rapaz meneou a cabeça ligeiramente, consentindo.

– Sem problemas. Estarei aqui amanhã de manhã. – prometeu.

– Carter lhe dará informações a respeito de tudo o que deverá saber sobre facas e outros objetos úteis.

– Devo ir. – disse Ellie em tom baixo, dirigindo-se ao seu superior. – Quero ver como Alena está. Ainda encontra-se em estado complicado.

– Não se preocupe. – Vincent sorriu-lhe, tranquilizando-a. – Eu a manterei informada a respeito do andamento das investigações e de todo o resto.

– Agradeço. – ela respondeu.

E então virou-se, se afastando dali. Passou pela porta principal, saindo do prédio da organização. Vendo-a ir embora, Ryder precipitou-se em entregar a arma ainda em mãos para Joshua e disse qualquer coisa, correndo para fora. Alcançou-a quando ela fazia menção de subir em sua motocicleta escarlate. Ellie ergueu os olhos quando viu-o sair pela porta, parando diante dela.

– Pergunta: – ele começou, aproximando-se dela. – Aquilo que você me disse lá dentro, no outro galpão… Você realmente acredita nisto?

Ellie manteve-se séria.

– Seu ceticismo pode lhe custar muito caro. – respondeu com convicção.

– Por que me quer em sua divisão? – a pergunta vinha lhe atormentando há horas.

A garota encolheu os ombros, indiferente.

– Preciso de aliados.

– Não acredito ser exatamente o tipo de aliado que desejaria ter.

– Pouco me importa o que faz fora desta organização. – ela declarou, firmemente. – Desde que esteja disposto a matar por ela.

– Por ela – Ryder ergueu uma das sobrancelhas. – Ou por você, dona da verdade?

Ellie forçou um riso baixo e sarcástico, abanando a cabeça.

– Algum dia, – a voz estava envolta em cega certeza, os olhos tinham um brilho insano refletindo seu próprio ego. – Muitos matarão e morrerão por mim. Não preciso que alguém como você o faça. Por enquanto, me contentarei em vê-lo lutar pelos propósitos da Fraternidade. Tem meu voto de confiança. – afirmou. – Não o perca ou farei com que lhe cortem o pescoço.

Ryder esticou uma mão com o punho fechado no qual as letras da palavraconfiança* (trust em inglês*) estavam tatuadas nas falanges de seus dedos.

– Vamos lá. Toque aqui. – pediu.

Ellie esboçou a mais confusa das expressões.

– Está louco. – murmurou ela.

– Não. É sério. – ele insistiu. Ainda tinha o punho esticado diante dela, esperando que ela retribuísse o que mais parecia um cumprimento.

Hesitante, rolando os olhos, a garota esticou o punho cerrado, colidindo levemente com o dele.

– Agora sei que posso confiar em você. – Ryder constatou, sorrindo.

– Por causa disto? – Ellie arregalou os olhos, incrédula.

– Não se cumprimenta um inimigo. Nunca. – explicou. – Não no lugar de onde eu vim.

Ela abriu outro sorriso irônico.

– Pois de onde eu vim as pessoas gostam de manter os amigos próximos…

– E os inimigos mais ainda. – ele completou, sarcástico. – Que previsível, Sra. Braxton. Não se torne uma pessoa clichê demais, seria lamentável.

Lançando para ele um olhar enraivecido, Ellie montou sua motocicleta e arrancou bruscamente. Passou por ele em alta velocidade, por fim, indo embora.

Quando finalmente regressou à mansão, passando pelos portões altos de sua propriedade, Ellie aliviou-se. Desceu da motocicleta após estacioná-la em frente à porta principal da casa. Adentrou o local com ar distante, a cabeça repleta de problemas sem solução. Havia tanta coisa a ser feita, tanta coisa para se pensar. Ela estava começando a se encontrar sobrecarregada demais.

Encontrou Alena na sala de estar, sentada no sofá olhando para o nada. O rosto estava isento de qualquer expressão, o corpo vazio, pálido. Estava assim desde a noite da morte do irmão.

Após ver a garota em tal estado por dias, Ellie contratara uma psicóloga para visita-la todas as tardes. O tratamento ainda não demonstrara-se eficaz, mas Ellie decidiu esperar por mais alguns dias. Talvez devesse apenas ser mais paciente.

– Alena. – aproximou-se da mais nova, agachando-se à sua frente. – Estou de volta.

Alena Braxton não respondeu. Também não falava, não se manifestava. Os lábios estavam selados em sua angústia muda.

Ellie suspirou, prosseguindo:

– Quero que suba para seu quarto. Mandarei que preparem algo especial para o jantar, o que acha?

Silêncio. Alena tinha os olhos fixos no ar, muito abertos. Ela moveu-se, se colocando de pé. Então seguiu para as escadas, provavelmente subindo para seu quarto. Ellie passou as mãos pela cabeleira farta e dourada, respirando fundo e colocando-se em pé.

– Lady Braxton. – Marina surgiu na sala, de prontidão. – Já voltou.

– Sim. – Ellie assentiu, exausta. – Alena tem se demonstrado tão… Fria.

– O que não é de se admirar. – comentou a jovem empregada. – Sente a perda e ausência do irmão.

– Se ao menos eu… Pudesse…

– Trazê-lo de volta? – indagou a bruxa.

Ellie ergueu os olhos para ela, surpresa.

– É o que tem estado em minha mente desde aquela maldita noite.

Marina Baresi aproximou-se, como um animal farejador, exalando intenções por detrás de seus passos.

– Tem ideia de onde sua alma se encontra?

Estranhando a súbita mudança de comportamento da jovem, Ellie respondeu, hesitante:

– Tenho.

– Então sabe onde encontrá-lo. – Marina concluiu.

Ellie pigarreou, emitindo um riso nervosamente franco em seguida.

– Marina, isto não…

– Isto é possível. – interrompeu-a. – Tal como todas as coisas que antes você acreditava ser impossíveis. A Fraternidade, profecias, demônios, manifestações dentro de si, aqueles que a perseguem… – cada palavra que escapava dos lábios de Marina causava em Ellie maior espanto. – Tudo isto e nada disto. Há sempre um fundo de verdade.

– C-como você…?

– Estou nesta família desde que me entendo por gente. – declarou. – Não se pode esconder um segredo para sempre.

Indignada, Ellie não soube qual emoção esboçar, sentindo as mãos suarem frio. A voz de Marina tornou a soar:

– Se está realmente disposta ir ao Inferno por ele, – os olhos da garota à sua frente se abriram ainda mais. – Sei de alguém que pode levá-la até lá.

Ellie ainda sentiu o impacto da percepção e da surpresa chocarem contra seu peito, fazendo seu coração acelerar em nervosismo. Marina a surpreendera com suas afirmações e sugestões firmes. Algo pelo qual ela – em hipótese alguma – esperava. Respirou pesadamente, soltando todo o ar. Levantou o rosto num gesto desafiador, fitando os olhos da garota.

– Quem? – perguntou, por sua vez.

–—

Christian Madden sentiu a irritação lhe arrastar como uma onda quando bateram à sua porta enquanto ele tentava concentrar-se na leitura de fichas contendo símbolos e seus significados. Levantou-se do chão, seguindo para a porta. Ao abri-la, não apenas assustou-se com o conhecido e habitual rosto que vira antes muitas vezes ali, em seu quarto de hotel. Havia mais alguém. Alguém que não era bem-vinda aos seus olhos. A situação poderia parecer terrivelmente cômica, mas era irônica.

A presa diante de seu caçador.

– Eleonora Braxton. – ele disse, a voz vacilava, entregando que estava surpreso.

A garota estava acompanhada pela jovem bruxa que a servia em sua casa.

– Sr. Madden. – Ellie emitiu um aceno com a cabeça.

– Disse-lhe que não teria a mesma sorte da próxima vez.

– Não estou aqui para confrontá-lo.

Mais tarde, cedendo, eles as deixaram entrar. Assentaram-se no sofá, frente a frente. Madden não se manifestou, ouvindo a narração da garota enquanto acendia um cigarro.

Quando ela terminou, Madden notou que Marina não intervira até então, calada e atenta. Ele inclinou-se para frente, desdenhoso.

– Perdeu todo o juízo. – disse.

– Quero que me leve até o Inferno. – Ellie insistiu. – Sei que pode fazer isso. Sabe como chegar lá.

– Ir ao Inferno pode ser a experiência que a levará à loucura, mas vejo que já alcançou tal coisa se está me pedindo para ajudá-la.

– É um homem bom, Sr. Madden. Tem o coração puro.

– Não significa que estenderei minha mão ao inimigo.

– Sei que estamos de lados opostos. – afirmou ela. – Mas esta é uma situação na qual me denomino neutra. Peço uma trégua momentânea.

– Uma trégua… – ele repetiu o que ela dissera por último.

– Estou ciente de que deixou a Ordem, Sr. Madden. – Ellie persistia em seu objetivo. – Se foi capaz de deixá-los é porque não acredita totalmente no que dizem.

– Onde está querendo chegar? – Christian indagou.

– Tenho bons propósitos para o Novo Mundo, Sr. Madden. Quero que a raça humana renasça pura quando este dia chegar. Mas até lá, terei que eliminar todo aquele que contamina a Terra com seus atos.

– Você não é Deus para julgá-los.

– Mas fui escolhida para isto. Talvez até mesmo por Ele.

Madden riu, angustiado.

– Não é muito persuasiva, Sra. Braxton.

– Pessoas boas não sofrerão por minhas mãos. Isto inclui você, Sr. Madden. É uma pessoa boa, certamente o teremos em nosso meio quando o Apocalipse chegar ao fim.

– Dispenso sua misericórdia.

– Não sou misericordiosa. – ela disse. – Mas sou persistente.

O silêncio respondeu-a. Ellie continuou:

– James era minha consciência, minha única fonte de coragem para tomar decisões, fossem elas drásticas ou não. A irmã dele ainda é muito jovem. E ele era sua única família. Pode imaginar o quão sozinha e assustada ela pode estar agora?

Christian Madden franziu os lábios, mudando seu olhar de direção, respirando fundo.

– Não poderá ir ao Inferno.

Ellie bufou:

– Sr. Madden, eu precis…

– Trazer seu marido de volta não será algo fácil. – alegou o exorcista. – Jamais em toda a minha vida tentei executar tal ação. Exige muito de si.

– Farei o que for preciso para isto.

– Braxton é um herdeiro do diabo. Se sua alma caiu no lago do fogo eterno, estará assentado ao lado dele. Será fácil encontrá-lo, mas trazê-lo de volta à vida seria… Praticamente impossível.

– Quero que tente. – pediu a garota. – Vá ao Inferno e busque por ele. Diga-lhe que foi enviado por mim. Faça o que for preciso, mas, por favor… Ajude-me.

De autoritário o tom da voz dela tornou-se desesperador. Lentamente, Christian Madden apagou seu cigarro na mesinha ao lado do sofá e colocou-se em pé com naturalidade. Olhou para a jovem e decidiu-se:

– Preciso que afaste-se enquanto executo o ritual.

Ellie sentiu o sangue fugir-lhe do rosto, o coração disparou. Ela também se levantou, esforçando-se para não sorrir em gratidão.

– Irei consigo.

– Não. – objetou o caçador de demônios. – Eu já lhe informei que não poderá ir ao Inferno. Pode ser a filha de Babilônia, mas nada sabe a respeito do submundo. Isso eu lhe garanto.

– Eu a levarei para fora. – sugeriu Marina, finalmente. Christian Madden sentiu-se subitamente nervoso ao ouvir o som de sua voz.

– É necessário que você fique.

– Por quê? – Ellie indagou. Ainda não compreendia como e por que os dois pareciam velhos conhecidos.

– Alguém deve estar presente para puxar-me de volta. – ele respondeu. Indicou a porta do quarto de hotel. – Por favor, aguarde lá fora.

Tomada pela incerteza, Ellie dirigiu-se para a porta. Christian vinha logo atrás dela, abrindo para que ela pudesse se retirar.

– Sr. Madden. – ela virou-se para ele, olhando-o com severidade.

– Diga.

– Traga-o para mim, por favor.

– Não farei promessas. – respondeu, fechando a porta e aproximando-se de Marina que ainda encontrava-se no meio do aposento. – Sabe como isto funciona?

– Efeito quase-morte. A alma abandona o corpo e retorna a ele após um choque de realidade. – declarou a jovem bruxa.

– Muito bem. – Christian dirigiu-se até sua cama, agachando-se. Debaixo dela retirou uma maleta preta. Abriu-a, colocando sobre a cama.

– Na última vez em que estive aqui você tinha visitas. – analisou a garota.

– Adam saiu em busca de livros. – o exorcista respondeu, procurando por algo em sua maleta. - Um colega de trabalho, eu o chamaria.

– Entendo.

Ele virou-se para ela. Tinha agora duas seringas em mãos. Estendeu uma delas, contendo um líquido incolor.

– Veneno. Morte rápida. – ela pegou a seringa e ele estendeu a outra que continha líquido amarelado. – Injete esta cinco minutos depois de ter injetado a primeira. É o antídoto. O efeito também é rápido.

– Está certo disto? – Marina tomou posse da segunda seringa.

– Estou. – Christian Madden dirigiu-se para a cama, onde deitou-se, esticando seu corpo. – Pelo que vi, sabe o que fazer. Não hesite.

Ele cerrou os olhos. Segurando a seringa com o líquido incolor em uma das mãos, Marina avançou para ele, aproximando o objeto de seu pescoço. Fincou a seringa ali e injetou todo o líquido, vendo o rosto dele se contorcer em diversas expressões. Afastou-se, esperando para vê-lo reagir ao veneno.

Segundos depois todo o corpo dele se agitou, tremendo sobre a cama com violência. E então os movimentos cessaram. Houve silêncio. O silencioso infinito, a morte.

Christian Madden viu a escuridão recebê-lo de braços abertos e então sentiu que forças o puxavam para cima e para baixo, quase rasgando seu corpo ao meio. Concentrou-se naquela que puxava-o para baixo e, de repente, foi completamente sugado para o submundo.

Em outro plano, abriu os olhos. Todo o seu corpo suava devido ao calor excessivo do ambiente em que agora se encontrava. Chegou à conclusão de que toda a água ou ar seriam elementos inúteis naquele lugar que parecia-lhe familiar, talvez devido às incontáveis vezes em que lera descrições a respeito do local. Todavia, nem as mais bizarras e aterradoras descrições já feitas chegavam perto do verdadeiro desespero e terror que era estar ali.

No Inferno.

Madden avistou uma sombra de fumaça subindo acima do fogo que espalhava-se por todos os cantos. A fumaça que subia era dividida em três colunas. Sua sombra não era nem fresca nem oferecia qualquer proteção do fogo implacável. As faíscas eram como enormes castelos semelhantes à uma fila de camelos amarelos em marcha.

Olhando para seus arredores, Christian viu e ouviu almas sendo ferozmente devoradas pelas chamas. O fogo consumia tudo, não deixando nada intocado. Queimava a pele até os ossos, derretendo o conteúdo do estômago, indo até os corações, e expondo os órgãos vitais. A cena era aterrorizadora, angustiante. Mas nada comparada aos gritos horríveis que emanavam dos lábios daqueles que eram devorados pelo fogo.

Por minutos que mais pareciam uma eternidade dolorosa, Christian Madden caminhou por entre chamas e corpos dilacerados, ensurdecido pelos gritos de agonia ao seu redor. Procurava com os olhos pelo rosto do homem que viera buscar. Sentiu que algo lhe acompanhava e, instintivamente, virou-se para trás, deparando-se com uma silhueta aparentemente feminina. Parte de seu corpo já havia sido consumida pelo fogo, seu rosto estava desfigurado. Havia uma orla de cabelos vermelhos como o sangue sobre sua cabeça ferida. O rosto moveu-se com dificuldade, quando a voz que escapou dos lábios derretidos soou como um sussurro no ar superaquecido:

– Mate-a… Mate-a…

A figura avançou para ele, esticando os braços.

– Afaste-se. – ordenou o exorcista. Olhou-a com repulsa, reconhecendo o que restara de seu belo rosto. – Katherina Donovan…

Ela resmungou algo que Christian não pôde distinguir.

– Onde está Braxton? – ele perguntou. – Diga-me onde ele está.

– Ele… Ele não est… Não… – o que sobrara de seu corpo evaporou como fumaça quando uma onda de fogo se quebrou sobre ela, arrastando-a para o lago de chamas logo atrás. Christian arregalou os olhos, incrédulo. Permaneceu petrificado em frente ao lago do fogo que não se extinguia, quando sentiu que algo o puxava para cima. Antes que pudesse reagir, foi sugado para outra dimensão, um infinito mar de trevas que não emitia som algum. O mesmo lugar onde estivera antes de chegar ao submundo. O silêncio retornou.

E Christian Madden também.

Abriu os olhos para o mundo dos vivos, levantando-se da cama num salto, preenchendo seus pulmões famintos com oxigênio, arfando.

– Acalme-se! – Marina Baresi pousou uma das mãos sobre o ombro dele. Ele fitou-a, lutando para controlar sua respiração. A porta do quarto foi aberta e uma Ellie desesperada e ansiosa adentrou o local, avançando para o exorcista sentado na cama.

– Você o encontrou? Viu ele? – com os olhos arregalados, ela esperou por uma resposta.

Com muita calma, Christian sentou-se à beira da cama, coordenando suas ideias. A cabeça latejava como se tivesse sido sufocado por uma avalanche.

Ergueu o rosto para a garota autoritária parada perante ele e manteve-se sério ao respondê-la:

– Ele não foi para o Inferno.

–—

* [Em hebraico] Anee hoo sheshokhen betokh Cain. – Eu sou o que habitava dentro de Caim.

* [Em latim] Ego sum unus quisnam habito intus Nero. – Eu sou o que habitou em Nero.

* [Em grego] Eh no ente so paro thene Judas. – Uma vez eu habitei em Judas.

* [Em alemão] Eet ik nik Hitler. – Eu estava com Hitler.

* [Em linguagem assíria neo-aramaico] Ah nah Herodes. – Eu sou Herodes.

* [Em russo] Я Иван, Грозный. – Eu sou Ivan, O Terrível.

Posted 1 month ago
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Asker Portrait
» A message from only-umagarotainvisivel:

Eu amo sua fic, *-*, James = <3 ~ espero que ele volte logo *w* ... Sério, você deveria publicar um livro, eu ia comprar sem pensar duas vezes. Sua escrita é maravilhosa e os temas que você escreve são tão diferentes e tão excelentes. Não tem como não amar o que você escreve. Parabéns diva! ^^

Oh, hey *-* Fico muito feliz por isso! Aw, James é a perfeição, não é? <3 Pode ficar na torcida que tudo vai se acertar, prometo.

Really? Mas quem dera eu >.< É um sonho, realmente, mas muito difícil de se alcançar. Ainda assim vou tentar a sorte :D Escrever é minha paixão e faço isso com muito, muito carinho.

Obrigada por todo o incentivo e apoio, eu fico imensamente feliz, srsly! Sinta-se abraçada porque sua mensagem fez minha noite mais feliz <3 *hugs*

Posted 1 month ago
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Asker Portrait
» A message from Anonymous:

oi bgyvfygbuh então, eu acompanho a história pelo nyah! mas não tenho conta lá, então vim falar que amo o jeito que você escreve e sua criatividade hubvvfygg você pensa em publicar um livro algum dia? e você me responderia sua idade? jklç~lkkl só curiosidade mesmo

Olá *-* Aw, fico feliz que a minha escrita te agrade, sério. Então, é um sonho meu publicar pelo menos um livro. Tenho isso como um objetivo de vida, quem sabe um dia, né? É difícil conseguir chegar lá, mas ok :D

Eu fiz 19 anos nessa última terça-feira haha *w*

Obrigada por me acompanhar <3

Posted 1 month ago
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